domingo, julho 02, 2023

EU CONTRA O APARECIMENTO - parte 1

Desculpa gente, esse sumiço por.. anos! Talvez vocês nem imaginem mas ocorreu uma pandemia mundial igual nos filmes de fim do mundo. Até pior. Nos filmes só atinge Nova York e no máximo Paris. A pandemia atingiu também o Brasil, olha só! Já vi um ou outro filme que mostrou o Brasil (Rio de Janeiro) sendo atingido por desastres (Guerra dos Mundos original?) mas era minoria..


Meu sumiço foi porque minha vida profissional estava em risco no meio dessa pandemia. Não sei se vocês sabem mas eu criei uns 2 alter egos. O mais antigo é o cinéfilo espião carioca, o mais recente é o ator Gus Rezende. E profissionalmente sou o biólogo Gustavo Pessôa que, na pandemia, sofreu um período sabático forçado pela falta de emprego. Sim, uma pausa prolongada que culminou em forçar o afloramento dos 2 alter egos e de formas de sobreviver com algum deles. O espião carioca então criou páginas online, grupos de cinema, estudou, leu livros sobre o tema, viu centenas de filmes, arriscou algumas coisas.. O ator Gus Rezende finalmente tirou seu registro, buscou uma área de interesse dentro desse amplo ofício, pensou novamente na dublagem mas acabou flertando um pouco com stand up comedy..

Mas não teve jeito, não é questão de preferência ou de talento mas de oportunidade que surgiu pro Gustavo Pessôa, ao qual dediquei 100%, 500%, 1000% num projeto ousado em minha profissão e deu certo.. mas sem esquecer os alter egos, que também estão ali no projeto porém em menor grau. Uma das metas é criar um Cineclube, que não seria possível sem esse olhar de um dos alter egos. E vocês todos estarão convidados a assistir as sessões do Cineclube pelo espião carioca, Gustavo Pessôa e Gus Rezende. Nós 3 agradecemos. Em breve mais novidades. Tchau, até a próxima e valeu!

segunda-feira, setembro 20, 2021

EU CONTRA A REALIDADE (sonho 1): O estranho caso do cachorro humano

Chegamos à tardinha na casa dos meus pais. No final de semana do meu aniversário resolvemos ir pra lá e chegar um pouco antes do anoitecer porque, por volta desses dias, eu tinha visto nas redes sociais que estava acontecendo uma onda de assaltos a lojas no período da noite, naquele distrito onde eles moram. Antes eles moravam de veraneio e, nesses últimos 21 anos, fixaram naquela residência. Com a pandemia, há vários meses eu não saía de casa mas, agora com as doses da vacina já recebidas, estava bem mais tranquilo para ir ver meus pais: de acordo com estudo científico londrino, as pessoas totalmente vacinadas tem 3 vezes menos o risco de serem diagnosticadas com covid-19 e transmitem bem menos o vírus.

Após descer do carro e guardar a mochila dentro de casa, eu fui no quintal - a parte de trás da casa - e estava anoitecendo. Tinham novos cachorros que eu não conhecia e não dava pra ver nada muito bem. Fiquei olhando os diferentes cachorros brincando no quintal e tinha um que não se movia muito, ficava parado e distante, próximo do muro branco que rodeava as fronteiras do quintal. Quando finalmente se moveu, eu achei estranho porque parecia que andava apenas em 2 patas. Iluminei o local com a lanterna do celular e vi um... CACHORRO HUMANO!


Chamei ele, disse pra não ter medo. Passaram uns minutos até aproximar-se de mim aquela figura incrivelmente bizarra. Tirou um cobertor branco que servia de fantasia e me disse que morava no quintal junto com os cachorros há algumas semanas, por causa da comida e do abrigo! Entrei em casa para perguntar a minha mãe se sabia que tinha um mendigo morando no quintal e ela disse que pegaram por engano o mendigo na rua pensando que era um cachorro, pois pegavam os cachorros de rua para criar no quintal e vigiar a casa, após os muitos crimes que estavam acontecendo na região. Voltei e conversei com o mendigo sobre a vida dele e o que ele pretendia fazer para o futuro, incluindo os seus propósitos de vida. Conversa vai conversa vem, ele me perguntou como reconheci que ele não era cachorro mas sim humano. Eu disse que era Biólogo, fiz cursos e provavelmente por isso que eu conseguia saber a diferença, mesmo estando longe, escuro e difícil de enxergar por ser noite. Foi neste momento que o ex-CACHORRO HUMANO me pediu que ficasse mais um tempo, mais alguns dias vivendo no quintal, ao invés de voltar a morar na rua no dia seguinte.

Comovido com toda esta história, fui falar com a minha mãe para ver a possibilidade dele ficar conosco mais alguns dias, ali na casa dela, pois ela tinha dito que o expulsaria no dia seguinte. Ouvindo o barulho do carro, fui supreendido: naquele momento ela estava saindo com meu pai, meu cunhado e minha irmã de carro. Ao falar a todos para terem muito cuidado porque li notícias que estava tendo muitos assaltos na região, eles quatro dentro do carro pegaram máscaras de palhaço e botaram no rosto, dizendo para eu não me preocupar porque a partir de agora eles estavam saindo de máscara e não seriam identificados pela polícia! Horas depois, a polícia ligou dizendo que eles foram presos e foi assim que o fiel cachorro-humano acabou ficando mais tempo conosco, morando em nosso quintal. Fim.

segunda-feira, janeiro 04, 2021

EU CONTRA O FIM. - 2

Ah mas eu não acredito nisso..

Fabinho, meu primo, era a tradução e tradição viva do carioca: pipa e futebol na rua, muitos amigos e querido por todos, fazia uns bicos pra (sobre)viver, e aquela cervejinha no bar. Sempre tive inveja de quem cresceu dessa forma, solta, quem foi moleque, quem viveu de verdade. E ele foi um eterno moleque. Pra mim, essa alegria acho que ele puxou em muito da mãe Maria. E isso, essa alegria solta, transbordava em risos. Tinha uma risada que nunca vou esquecer. E deixou pra gente a saudade.

domingo, novembro 01, 2020

EU CONTRA O FIM.

É só isso, não tem mais jeito, acabou. - como diria a poeta Vanessa da Mata. Não sei o que dizer, só palavras.

É... meu amigos cinéfilos, tudo passa, tudo passará.. - como diria o poeta Nelson Ned. Perdemos o Roger Moore anos atrás e ontem o Sean Connery se foi. Isso só me faz pensar mais ainda na existência. O meu avô tinha um bando de discos e livros de inglês, inglês britânico mesmo, ele ia pro segundo andar da casa pra estudar. Era o melhor inglês, dizia. Inglês britânico. Pra mim o segundo andar da casa da vovó era tipo uma caverna, um mistério - pra uma criança lembrar dessas coisas, na imaginação era porque tudo é maior e sombrio. Para uma criança macabra com eu que assistia filmes de terror, era então o máximo do sombrio. Gostava de ir lá em cima. Chegava lá, meu avô tava com uns fones, ele botava uns headfones gigantes e repetia as falas dos discos, tudo em inglês. GOOD NIGHT, THANK YOU, etc... Eu não entendia nada, ficava só olhando. Aí lá também tinha um banheiro e um muro muuuuito alto que dá pra trás da casa, 2 outros mistérios. O banheiro ninguém ia lá. O muro parecia tão alto que não dava pra ver o que tinha atrás e parecia mais alto ainda porque eu sempre lembrava que não estávamos perto do chão "de verdade", além de eu e minha irmã sermos crianças, obviamente. Era um misto de querer e não querer olhar por cima do muro.

Isso de medo só acaba quando tu tem heróis, certo? Talvez a psicologia explique mas, se não explicar, posso escrever a minha versão: quando a pessoa tem seus heróis pode ser que pense "o que o Superman faria nessa situação?" Como se viraria quando seu lanche caiu no chão? Herói da infância não é o mesmo herói da juventude, um fato isso. Na juventude (ainda usam essa palavra?) podemos considerar 007 como o herói escolhido por mim, talvez porque as tramas dos filmes de ação sejam mais complexas de desenhos de animados e gibis pra um adolescente (ainda usam essa palavra?). Nessa coisa de descobrir os filmes, ou redescrobrir eles, já que foram assistidos na TV anos antes e, com a chegada da internet ao mundo (leia-se meados da década de 1990), acabei descobrindo que Sean Connery foi o 007! Que dodeira é essa? Pra mim 007 era unicamente Roger Moore. Tirando isso, tinha um impostor que aparecia nos posters da locadora de filmes (um cara chamado Goldeneye hahaha) e eu realmente não sabia que Connery tinha sido o primeiro 007 oficial do cinema, acreditam? Internet me salvou pra conhecer todos, até aquele momento eram 5 atores 007. Minha cabeça explodiu! Mas depois de ver todos os filmes de 007 até então, os meus favoritos eram mesmo Moore e Connery. Colei os pôsteres dessas duas lendas na minha janela. Pôsteres? Tá.. não era bem isso... era uma foto de cada, tamanho FOTO mesmo, tipo de porta-retrato padrão (ainda existem porta-retratos?). Aí gravava os filmes de James Bond quando passavam na TV, e também não demorou muito e comprei os filmes em VHS (ainda existem VHS?). Os britânicos Moore e Connery eram a personificação do herói pro público mais adulto talvez? Acho que sim, as histórias do Ian Fleming, o criador de 007, eram publicadas na Revista Playboy (ainda existe a Playboy?) nos anos 1960. Então sim, eram os heróis de quem já tinha idade pra ver esses filmes, por causa do conteúdo de ação e violência (tem até um filme em que uma cabeça explode).

Pra mim, com minha maturidade eu sempre achava meu avô um herói. No início desse ano finalmente visitei a Paraíba mas fui facinho só pra capital, não fui lá na cidade dele: Mamanguape, no interior e pro sul do estado. Olha a distância de lá aqui no Rio: 2.522 km!! E pensa nisso há 1 século (100 anos atrás) alguém vir pro Rio pela estrada e fazer a vida aqui nas indústrias de tecido, além de ter que manter 6 filhos!!! Meus avós foram guerreiros de carne e osso. Agora minha avó deve estar fazendo seus bolinhos de fubá, ela fazia quando íamos visita-los no final de semana, eram quentinhos, ela cortava quadradinhos. Eram quadradinhos pequenos pra gente adulta mas incrivelmente grandes pra mãos de crianças (minhas e da minha irmã). Era um desafio não deixar cair nenhuma migalha no chão, acho que eu conseguia. Vou perguntar pra minha irmã se ela conseguia, sempre esqueço de perguntar a ela, impressionante. Lá se vão uns 30 anos. E o meu avô, ah o meu avô com certeza deve estar lá no segundo andar com os livros grossos de inglês britânico e praticando seus "good night" com o Roger e com o Sean, 3 heróis conversando nesse momento. Thank you, grandpa!